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Coluna Folha de S.Paulo - 29.11.2005
Sabotagem
À última hora, quando tudo parecia perdido, os dirigentes do Paraná manifestaram interesse, esboçaram uma oferta. Nem ouviram uma satisfação. A CBB preferiu desistir de vez do campeonato brasileiro juvenil feminino a entregar a organização dele a uma federação dissidente, que não votou na reeleição do presidente Gerasime Bozikis. Em agosto, o gerente administrativo e supervisor de basquete da Mangueira assinou uma carta de desabafo, lamentando o descaso e o jogo politiqueiro que marcam a gestão das categorias de base. Outros técnicos se solidarizaram e engrossaram a corrente de protestos. A confederação não só não se comoveu como retrucou. Sacrificou seu principal parceiro econômico e cancelou a segunda edição da Copa Eletrobrás, o Nacional interclubes juvenil, que representa a grande (única?) vitrine do trabalho do morro carioca, um dos projetos de inclusão social por meio do esporte mais bonitos e bem-sucedidos do país. Outro centro formador de talento, Osasco negociou até este mês a inclusão de um time na Nossa Liga, o torneio independente que nasceu da revolta dos clubes contra os pedágios e favores cobrados nos eventos oficiais. A idéia era dar experiência de quadra e alguma perspectiva profissional à nova fornada. Teve de recuar quando ouviu que suas meninas nunca mais seriam chamadas para as seleções de base. Aliás, no começo do semestre, quando as comissões técnicas ainda se faziam de desentendidas, as atletas menos experientes da seleção adulta já confidenciavam aos mais próximos que haviam sido orientadas a assinar com equipes alinhadas com a CBB para não "colocar em risco" suas carreiras. Em outubro, a confederação não fez mais questão de dissimular. A uma quinzena da estréia da Nossa Liga masculina, agarrou-se a argumentos fictícios e anunciou que as portas da seleção estariam cerradas para todo aquele que não concordasse em atuar no campeonato oficial. Nem que isso comprometesse as chances de o Brasil se reerguer nos Mundiais de 2006 e na Olimpíada de 2008. A chantagem deu certo. Qual cordeirinhos, um a um os atletas com potencial de convocação pediram abrigo nos clubes chapa branca. Que a Nossa Liga se contentasse, então, em compor seus times com veteranos e com desgarrados, jogadores que haviam sido esquecidos pelo mercado? Esqueça. O establishment, guloso, agora fala em cassar o registro federativo de quem servir os "rebeldes". As retaliações também envolvem patrocinadores, burocratas do Pan de 2007 e do Mundial feminino de 2006 e detentores dos direitos de televisão. Mas essa triangulação é ainda mais cabeluda e fica para outra coluna. E quem não concordar com tudo isso? Que vá para o inferno. Quer dizer, para a Justiça desportiva. Antes, claro, deverá pagar a recém-fixada taxa de R$ 5.000 por apelo _uma fortuna diante do quadro de miséria em que a modalidade se encontra. De tão sórdida, essa campanha é até admirável. Demorou, mas finalmente o basquete vê a CBB empenhada em alguma coisa.
Tutano 1 Lucas Tischer por pouco não emplacou no Phoenix Suns, time grande da NBA. De volta ao Brasil, podia pensar só no seu _fechar por uma boa grana com um clube pró-CBB e ficar mais perto da seleção. Em vez disso, preferiu socorrer o "rebelde" São José dos Pinhais (PR). Vai jogar de graça. "Meu maior sonho é defender o Brasil, mas acho que ajudarei mais o basquete se jogar a Nossa Liga agora", explicou o raçudo pivô. Tischer, 22; Nenê, 23; Varejão, 23; Marquinhos, 21... No basquete nacional, é a molecada quem fala grosso.
Tutano 2 A história primeira edição feminina da Nossa Liga começa nesta noite com Piracicaba, Niterói, São Bernardo, Pindamonhangaba e Santos. E sem Janeth, que preferiu a boa grana do basquete espanhol.
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Escrito por Melk às 12h57
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Coluna Folha de S.Paulo - 22.11.2005
Os pés pelas mãos
O Hall of Fame eternizou o nome de Hortência neste ano. Não duvido que em breve cogite fazer o mesmo com o de Paula. Ela acaba de aparecer entre as nomeadas de outro memorial de basquete dos EUA. Ainda que este seja menos conceituado do que aquele, é um sinal de prestígio. Muito justo, dirá o torcedor. Hortência e Paula foram jogadoras extraordinárias, tiveram carreiras brilhantes. Ainda incorporam o basquete feminino do país. Daí a pergunta: Por que Janeth não consegue desfrutar junto com elas da reverência da arquibancada, por que ela não atrai aplausos com a mesma intensidade? Se à ala falta a genialidade do improviso das outras, sobra-lhe a da execução. É uma máquina de jogar basquete, quase nunca falha. Ninguém conquistou mais títulos e pódios ou fez mais pontos em Olimpíadas do que ela. Talvez Janeth pague pela timidez do início nas quadras, pela pouca desenvoltura diante das câmeras. Ou pelo receio de levar a público detalhes da vida pessoal. Talvez seja resultado da abordagem ultraprofissional, avessa a badalações e patotadas. Ou da recente trajetória como matadora de aluguel, um time diferente a cada temporada, fazendo dos torneios domésticos uma tediosa seqüência de "vim-vi-vencis". Ou, ainda, porque, ao contrário das bocudas Hortência e Paula, sempre se manteve distante da política do esporte _e seu silêncio de certa forma validou anos de desmandos e desacertos. O fato é que, curiosamente, a atleta que devia simbolizar o basquete versátil e solidário (e que comanda um fantástico projeto social no ABC paulista) aos poucos passou a ser percebida como individualista, mercenária até. Não penso que Janeth deva se pautar pela opinião alheia. Mas não desejo vê-la dizer adeus sem o reconhecimento que merece. Aos 36 anos, ainda a mais completa jogadora brasileira em atividade, a ala está encostada, sem time, "à espera de propostas". Pode ser um sinal, a chance de imprimir de vez sua marca. Já que o Brasil não lhe oferece um salário, que jogue de graça. Que dê à Nossa Liga, campeonato independente que nascerá em 2006, o estímulo que as estrelas do masculino relutaram em dar. Há nove anos, Michael Jordan foi questionado porque não declarava apoio ao democrata negro Harvey Gantt na campanha ao Senado pela Carolina do Norte. O adversário era Jesse Helms, líder ultraconservador, vez ou outra acusado de preconceito racial. "Os republicanos também compram tênis", foi a resposta. O maior nome das quadras sempre agiu assim, como se vivesse à margem das polêmicas, evitando tomar partido, preocupado apenas em sair bonito na foto. Ele, aliás, acaba de lançar uma outra biografia ilustrada. Segundo o boletim de divulgação, para "celebrar o 20º aniversário dos Air Jordans" (o livro foi diagramado pelo designer do calçado...). Melancolicamente, teve de comprar horário nobre na TV para divulgar a obra. Farto do astro do pé-atrás, o basqueteiro aplicou-lhe um pé onde merecia. É hora de Janeth bater o seu.
Felicidade 1 Michele, 15, já voltou para casa, em Santa Catarina. Foi concluída com sucesso a primeira fase do tratamento de leucemia linfóide, iniciado em março, em Campinas. A irmã de Tiago Splitter tem 1,96 m e é uma das mais talentosas atletas de sua geração. Um beijo para ela.
Felicidade 2 Kátia, 22, retomou os treinos no Santo André. Foram nove meses de molho, investigando uma arritmia. A pivô de 1,93 m, cestinha do último Nacional, poderá reestrear em dezembro. Beijo nela também.
Felicidade 3 A lesão no joelho de Leandrinho, 22, que faz ótima temporada na NBA, não é grave. Serão só três semanas de molho. Beijo? Nahhhh.
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Escrito por Melk às 09h25
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Coluna Folha de S.Paulo - 15.11.2005
Pulso firme
"O garoto magrinho e careca entrou no vestiário e logo avisou que não pretendia jogar em Villanova. Provavelmente, disse, nem iria para a universidade. Pularia direto para a NBA. "Eu e um colega de time achamos engraçado. Quem ele pensa que é? O que anda fumando? "O garoto era Kobe Bryant e hoje me pergunto do que ríamos. "Talvez do fato de que em poucos meses as partidas do moleque no colégio venderiam mais ingressos do que as nossas. Ou de que ele apareceria nas nossas festas no campus e as pessoas pensariam que ele era o anfitrião. Ou de que, em 1999, três anos mais tarde, quando eu descolei um emprego, o vestiário seria o dele. "Eu já acompanhava Kobe e os Lakers pela TV. Mas apenas de perto entendi por que ele era tão seguro de si. Ele se exercitava muito mais do que os outros. "Eu sempre fiz questão de ser o primeiro a chegar ao trabalho. Mas Kobe sempre dava um jeito de me superar. Eu morava a dez minutos do ginásio. Ele, a 45. "Um dia, naquela pré-temporada, ele quebrou o punho direito. A quadra, imaginei, ficaria só para mim. Mas, para minha vergonha, na manhã seguinte lá estava ele no ginásio _um braço engessado, o outro com a bola. "Enquanto o time se ajustava para a estréia, percebi que Kobe seguia uma rotina peculiar. Ele driblava, fintava, passava e chutava com a canhota. Parecia obcecado em reaprender tudo o que fazia com a mão direita. "Certa manhã, ele me chamou para um duelo de arremessos. "Fiquei insultado. Ele acreditava que podia derrotar a mim, um especialista em tiros de longa distância, e sem uma mão! A mão boa! Topei. Seria um prazer fazê-lo engolir a mania de grandeza. "Por pouco escapei do maior vexame de minha carreira. Foi só por uma cesta que eu o venci. "Mas o melhor veio quando ele sarou e voltou a jogar. Logo em seu primeiro lance, ele driblou e chutou com a mão esquerda. O arremesso nem aro deu. Mas isso não importava. Diante de milhares de pessoas e das câmeras de TV, ele quis provar que também podia brilhar com a canhota." John Celestand, cigano do basquete, foi muito feliz quando blogou esse depoimento no dia 10. Em 2004, Kobe perdeu a companhia de Shaquille O'Neal, desafeto fora das quadras mas parceiro ideal dentro delas. O estímulo de Phil Jackson, único técnico que conseguia intrigá-lo. Os patrocinadores, arredios ao vê-lo no banco dos réus, defendendo-se da acusação (mais tarde retirada) de estupro. A admiração dos fãs. Hoje está claro que o ano passado viu um jogador de um braço só, aleijado, que encarou o torneio como um treino especial, um laboratório para testar seu arsenal enquanto o gesso agia. Shaq, assentado na Flórida, parou de amolar. Jackson voltou. A Nike recuou. E Kobe mostra agora o resultado do ano de solidão. Está mais confiante e espetacular do que nunca. Disparou como cestinha, com 31,8 pontos por jogo, 50% acima de sua média. Refez-se da fratura, mas não descerrou os punhos. Procura queixos. Os do basquete estão caídos.
Pegada Poucos dias antes da estréia, Alex (New Orleans) e Lucas Tischer (Phoenix) foram dispensados. Nenê (Denver) arrebentou o joelho dois minutos depois de pisar na quadra, uma contusão que vai lhe custar um ano e, provavelmente, mais de US$ 30 milhões no próximo contrato. Anderson Varejão ainda se recupera da cirurgia no ombro e só deve retornar ao Cleveland em fevereiro. O valente Baby, figurante no Toronto, virou alvo das frustrações da torcida _é vaiado toda vez que pega na bola. Mas Leandrinho tem compensado todos os infortúnios da comunidade brasileira. O Phoenix finalmente descobriu a vocação dele para o contra-ataque e o chute rápido. Com médias de 15,3 pontos por jogo (o dobro dos primeiros anos) e de 0,63 ponto por minuto (a 14ª mais alta do torneio), o armador é uma das grandes revelações do primeiro mês de NBA.
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Escrito por Melk às 12h21
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Coluna Folha de S.Paulo - 08.11.2005
Do lado de baixo do Equador
Há exatos 25 anos, os clubes australianos gritaram basta. Para se manter no esporte, concluíram, eles precisavam de campeonatos mais atraentes e comprometidos com o torcedor. O amadorismo servia à burocracia do basquete, não ao basquete. Eram no início seis equipes. Desesperadas porque faltavam horizontes, esperançosas porque não faltava vontade de acertar, elas se reuniram e fizeram as contas. Descobriram que cada uma só poderia contribuir com 225 dólares. O torneio não nasceria, portanto, com formato ideal. Elas teriam de jogar três vezes no fim de semana! Que fosse. Anunciaram o torneio e fizeram história. Mas a coluna de hoje não é sobre a saga bem-sucedida da WNBL, salvo engano a mais antiga liga profissional de basquete feminino. É, sim, sobre a reação dos que mandavam no esporte. Há 25 anos, o governo federal australiano chegou à conclusão de que o esporte seria uma importante ferramenta de mobilização social e econômica, talvez a única capaz de agregar um país diluído em dimensões continentais. Viu no protesto dos clubes um alerta. Talvez fosse arriscado confiar o futuro a uma estrutura que pedia penico em público. Fundou, então, o AIS, um instituto para garantir o desenvolvimento (técnica, tática, preparação física, nutrição, educação etc) das principais modalidades. Há 25 anos, a confederação de basquete australiana engoliu seco. Percebeu que o confronto com os insurrectos arrebentaria o esporte _e, portanto, a própria entidade. Abraçou outra prioridade: a massificação do esporte. Criou um programa de incentivo à prática do basquete entre adolescentes de 12 a 17 anos. As meninas participariam de clínicas (ITCs) nos fins de semana em suas cidades, exclusivamente para burilar fundamentos (sem se preocupar em ganhar o jogo para o "paitrocinador"). Uma vez por ano, as melhores atenderiam ITCs mais sofisticadas, com conceitos táticos. A cada biênio, fariam uma excursão ao exterior. Em quatro anos, tudo se integrou. A AIS inscreveu um time na WNLB, que contratava juvenis lapidadas pelos ITCs, que aplicavam o know-how da AIS. O resultado? A seleção feminina australiana, até então sem tradição alguma, ganhou medalha nas duas Olimpíadas e nos dois Mundiais mais recentes. As juvenis subiram ao pódio em três dos últimos cinco Mundiais. A melhor jogadora do planeta, Lauren Jackson, louvada até mesmo na xenófoba WNBA, criou-se na AIS. O basquete feminino do Brasil lembra hoje o da Austrália de um quarto de século atrás. Os clubes daqui (seis pioneiros também!) começam a falar em alforria. A diferença está na resposta mesquinha do establishment. O governo continua a financiar o esporte sem fixar planos de ação nem metas. E a confederação, empanturrada de dinheiro público, não faz outra coisa senão sabotar os "rebeldes". Os Nacionais juvenis interclubes e interestadual deste ano, por exemplo, foram cancelados. Às meninas só restou garantir o quórum dos times "chapa branca". Que pecado.
Escracho A CBB foi incapaz de achar um ginásio em quatro anos e teve de mudar o Mundial feminino de 2006 do Rio de Janeiro para São Paulo.
Capacho A federação do RJ é uma das poucas que contestam o comando atual da CBB. A de São Paulo, por sua vez, é uma das que dizem amém.
Esculacho A recém-anunciada gravidez de Adrianinha é um problemão. A seleção hoje não tem uma armadora reserva. Karla, que esteve em Atenas-04, não foi mais lembrada _não se sabe por quê. E Fabianna, a nova aposta do técnico Antonio Carlos Barbosa, foi menos usada neste ano em quadra do que em promoções politiqueiras da CBB.
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Escrito por Melk às 12h25
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Coluna Folha de S.Paulo - 01.11.2005
À flor da pele
"Trata-se de uma farsa", bradou Allen Iverson. "Um escroque de terno e gravata continua um escroque", reclamou Jason Richardson. "Não somos empresários, e sim artistas", chiou Paul Pierce. "Querem se livrar da cultura negra", acusou Stephen Jackson. "É coisa de débil mental", desabafou Tim Duncan. Essas foram algumas das reações ao decreto da NBA que proibiu os atletas de usar tênis, shorts, camisetas, agasalhos esportivos, bonés, jóias e outros acessórios em aparições públicas sem bola (eventos beneficentes ou comerciais, viagens, entrevistas etc). Muitos realmente não entenderam. O dirigente David Stern é um liberal nova-iorquino, e o basquete, de certa forma, sempre esteve associado à contracultura. Foi a NBA que, nos anos 70 e 80, introduziu à Grande América Branca tribos então ignoradas no horário nobre. Grunges caipiras, de jeans surrados e camisas xadrez; hippies lisérgicos, de camisetas coloridas e sandálias; ícones da blaxploitation, de paletós e chapéus berrantes. Foi também a NBA a primeira a transpor institucionalmente a barreira racial. Pode-se dizer que, graças a ela, o próprio esporte se transformou, abandonando as origens agrárias e abraçando os códigos dos playgrounds urbanos. Por que, então, coube justamente a ela dizer basta ao hip-hop? "Nós apenas alteramos a definição do uniforme que se usa em serviço," Stern tenta disfarçar, não por desfaçatez, mas para não atrair os holofotes para o verdadeiro problema de seu negócio. O hip-hop ainda vende videogame, música e streetwear e de fato conta com a simpatia dos jovens do "subúrbio branco" norte-americano. Mas faz tempo que parou de mover os cofres da NBA e de comover o público que interessa ao mercado publicitário. Pesquisa mantida em sigilo pela liga revela que seu grande fã/consumidor hoje tem 46 anos, é branco, está casado e possui filhos. Ele não se incomodava com a negritude engravatada e polida de Michael Jordan. Mas rejeita o "in your face" promovido pela nova geração de atletas negros. O estudo diz que a estagnação dos números do basquete (audiência, renda, receita) no mercado doméstico se deve justamente ao enfado desse "hard user". Stern havia resolvido sentar em cima desse relatório, satisfeito com os resultados além-mar e seguro de que ampliaria o faturamento com novas tecnologias. Mas teve de se levantar há 11 meses, quando, junto com milhões de americanos, viu a TV repetir à exaustão as imagens bizarras do quebra-pau entre jogadores e torcedores no jogo Detroit x Indiana. A liga dos negros passou a ser percebida como a liga de negros mimados. O campeonato piorou? "Ah, é por causa desses negros mimados." A seleção dos EUA fracassou na Olimpíada? "Ah, é por causa desses negros mimados." A "ditadura da moda" é, então, a tentativa apressada da liga de recuperar sua imagem, de reposicionar seu produto e, de certa maneira, de preservar suas conquistas sociais. Que aproveite o embalo da autocrítica para também restaurar a elegância do jogo.
Brasileiros 1 A ESPN será a única emissora a transmitir a temporada da NBA, com jogos nas sextas e, às vezes, nas quartas-feiras. Mas a valer a grade confirmada até fevereiro, o Brasil não verá até lá nenhum de seus cinco representantes em ação. O Denver, de Nenê, o Phoenix, de Leandrinho e Tischer, e o Toronto, de Baby, foram alijados. O Cleveland terá seis partidas televisionadas até janeiro, mas Varejão só voltará de contusão no mês seguinte. O telespectador precisa começar a chiar.
Brasileiros 2 Todo ano a liga promove uma enquete com os "general managers", os chefões de cada um dos 30 times. Um deles acredita que Nenê será aquele que mais vai evoluir ("estourar") nesta temporada. Outro considera Tiago Splitter o melhor jogador em atividade fora da NBA.
E-mail: melk@uol.com.br
Escrito por Melk às 12h16
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